Amores!
Hoje o post é quase um desabafo pessoal. Na verdade, é contando um pouco sobre a guinada que minha vida vai dar este ano (espero).
Deixa eu contar um pouco da minha história pra vocês!
Terminei a escola e passei no vestibular para Biologia na Universidade Federal de Viçosa, onde me formei. Saí da graduação certa que queria seguir na área acadêmica,trabalhando com ensino, pesquisa e extensão na área de genética da conservação. Viçosa era uma cidade sensacional e vivi 5 anos divinos lá. 1 mês após me formar, comecei o mestrado na área que eu queria, em Manaus (que biólogo não quer?!).
Larguei família, amigos, namorado e fui com tudo. O namoro expirou em 6 meses, muitos amigos sumiram e a saudade da família consumia. Mas fiz novas amizades, novas descobertas, novos amores, novas frustrações. Acabando o mestrado, consegui uma cadeira na faculdade e fui dar aulas. 4 meses depois passei num concurso da prefeitura de Manaus e assumi também numa escola. Eu dava aula de segunda a sexta, das 7h às 22:30h, e aos sábados. Morava longe da facul e nunca tive coragem de ter um carro, lá, pois achava o trânsito da cidade hiper caótico.
Mas comecei a ganhar muuuito dinheiro, muito mais do que esperava para meus 24 anos. Podia ir ao shopping e sair com um monte de sacola. Podia comer no restaurante mais caro da cidade. Podia pegar um avião e vir pra casa todo final de semana. Mas... Porque tudo na vida tem um 'porém'.... Comprar e ficar carregada de sacolas não tirava o peso das minhas costas, comer do bom e do melhor não afastava a tristeza e eu simplesmente não tinha tempo de ir pra casa. E eu sentia algo estranho, mas não sabia o que era.
E foi somente após ir ao pronto atendimento da Unimed pela terceira vez em 5 meses que a minha ficha caiu. Não era a rinite(de nascença), ou a faringite (de tanto dar aula) nem a cistite(porque fui me consolar com comida mexicana cheia de pimenta) que me faziam ir ao médico. ERA A TRISTEZA.
Porque, por alguma razão, eu simplesmente não estava feliz.
Gente, como é difícil assumir isso. Mas, depois de muito conversar com minha melhor amiga (amigas desde nascença; é a irmã que eu não tive), busquei ajuda. Comecei a tomar remédios e fazer terapia. Só que, pra mim, na minha solidão, isso só me deixava pra baixo. A terapeuta nem olhava na minha cara. Os remédios me davam sono. Parei a terapia, diminuí os remédios e comecei a conversar com as pessoas. Comecei a pensar se não era hora de voltar. Meus amigos de Minas diziam pra eu voltar, ficar perto da família... Meus amigos de Manaus falavam que eu deveria considerar minha estabilidade profissional e financeira, pensar numa CARREIRA.
Fiquei doida e resolvi visitar o meu irmão, que estava morando na França, e ficar 2 meses vagando com minha mochila pela Europa. E assim fiz. Fiquei sozinha, refleti, ia pra onde queria, conversava com metade do mundo, aprendi a falar "cerveja" e "saúde" em umas dez línguas diferentes e conheci pessoas. Pessoas que nunca, prestem atenção, eu disse NUNCA pensaram numa Carreira. Perguntei como era possível e um amigo holandês, arquiteto que só desenhava barcos-casa, disse assim "As pessoas não nasceram pra 1 única coisa na vida. Pessoas são dinâmicas e devem experimentar seus desejos, incluindo os desejos profissionais. Dinheiro é bom, mas é feito pra aproveitar. Quem só junta dinheiro e não faz mais nada, é banco." Gente, foi um tapa na cara isso. Porque quase todas pessoas de outros países que conheci juntavam dinheiro pra viajar. Dinheiro é só um meio, não um fim (entendam bem: conheci atendentes de lanchonete, maquiadoras, balconista de farmácia, caixa de supermercado, todo mundo fazendo mochilão, uma realidade longe pra nós, brasileiros....). E entendi que o trabalho deve ser um prazer, não um fardo. E cada vez que converso com este amigo holandês (que hoje trabalha como carteiro "but not for long time"), tenho mais certeza que o amanhã não existe e temos que ser felizes hoje. Voltei do mochilão decidida. Ia voltar pra MG e,como ainda tinha um dinheiro, ia tirar uns meses em casa pra colocar a cabeça e ordem e pensar no que me faria feliz. E descobri.
AMO, mas AMO MESMO dar aulas. E amo mais ainda dar aulas pra adolescentes. As pressões da pesquisa, os relatórios, os artigos, a concorrência desleal, os prazos, nada disso é pra mim. Bom, mas pra ter um salário digno de professora tem que trabalhar 3 turnos, e isso eu não faria nunca mais.
Percebi que tinha uma coisa que me dava prazer, que me fazia bem e eu tinha habilidade: PANELAS.
Cozinhar foi um terapia pra mim nos tempos difíceis. E, se minha avó era cozinheira, minha mãe cozinha que é uma maravilha, será que não é esta carreira que eu deveria seguir? Porque eu sempre imaginava um lugar legal, diferente, com pratos bacanas pra comer, mas nada, em lugar nenhum deste mundo atendeu à todas expectativas.
E, eu entendi, que vou ser feliz profissionalmente somente no dia que puder viver de cozinha, na cozinha.
A minha vida, então, ganhou um propósito. Final do ano passado fiz ENEM e tentei vestibular para Gastronomia no IFMG. E passei! Sim, gente, lá vou eu estudar de novo, com quase 30 anos de idade. Mas e daí? Quem disse que não posso experimentar, quem disse que não posso mudar? Quem disse que não posso amar meu trabalho e ser feliz?
De Biologia para Gastronomia a vida mudou. Mas e daí... Nunca tive medo do novo, de mudar, de aprender. Meu único medo é viver e não ser feliz! Gente, desculpem o texto enorme, mas conheço tanta gente infeliz, num trabalho que dá rios de dinheiro, mas que não tem brilho no olhar, que não relaxa, que resolvi compartilhar.
Óbvio que esse foi um resumo 'feliz' porque demorei muito a ME entender. E sei que, se não for isso, vou achar outra coisa. Saúde, vontade, esperança e liberdade, isso me move e espero que possa movê-los também!
Então, quem quiser bater um papo sobre isso, quem estiver num momento ruim, me coloco inteiramente à disposição para compartilhar histórias, alegrias e soluções. SÓ NÃO PODE DESISTIR!
Temos que sempre sonhar, mas nunca nos esquecer de fazer...
Beijo Beijo Beijo
DANI
Sempre julguei a palavra Liberdade como uma das mais difíceis de se definir. Podemos compreendê-la, basicamente, de três maneiras: como ato de decisão ou escolha entre vários possíveis; como capacidade para perceber possibilidades e realizar ações; como poder pleno e incondicional da vontade para se autodeterminar.
Porém, longe da frieza conceitual, a poesia consegue realizar a tarefa de defini-la de forma bela,leve e sutil: “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda” (Cecília Meireles)









